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Entrevistado: Ricardo Vaz
Monteiro, escritor e empresário
Por: Sérgio Vinícius

Ricardo Vaz Monteiro, um dos empresários mais bem-sucedidos no ramo de internet, acaba de lançar o livro Escolha seu .com (http://www.Escolhaseu.com). Na obra, Monteiro monta um guia de como escolher seus domínios na internet.
O livro explica os passos importantes que consumidores e empresas precisam dar para registrar domínios, aumentar a visibilidade da sua marca na Internet e aprimorar a lembrança do cliente a partir do uso de domínios exclusivos e personalizados.
Além disso, Monteiro descreve de forma detalhada e didática como qualquer emprea ou usuário pode escolher e registrar um domínio na internet de forma eficiente. O autor também previne os leitores em relação a palavras a serem evitadas e dá dicas de como relacionar uma marca e um negócio com o domínio a ser registrado. Como exemplo ele demonstra como o .com e o .com.br podem se complementar na atuação global de uma empresa, e explica sobre a documentação exigida nestes registros.
"A escolha de um domínio é uma das tarefas mais importantes associadas à construção de um website. Infelizmente, esta importante escolha tem sido executada levando-se em conta apenas aspectos operacionais e sem considerar a enorme influência que o nome do domínio tem sobre o tráfego de visitação de um site e o reconhecimento de uma marca", comenta.
Veja, a seguir, a entrevista que Monteiro concedeu à Revista W.
Revista W: Qual a melhor forma
de escolher um domínio?
Monteiro: Há algumas regras básicas para a escolha do melhor
domínio. O ideal é que ele seja o mais próximo de sua
marca. Se sua empresa tem uma marca estabelecida, o ideal é que ele
tenha o nome da sua marca. Outra dica: fugir dos nomes genéricos.
Supondo que você tenha uma empresa de sapatos, o mais comum seria a
pessoa registrar o www.sapatos.com. É estranho, porque normalmente
a marca da empresa é o que identifica de maneira inequívoca à sua
presença.
Revista W: Mas não
poderiam ser os dois, por exemplo?
Monteiro: O livro aconselha ter o domínio principal, que é o
que você deve investir em marketing, o que deve ser divulgado. E deve-se
ter domínios auxiliares, que ajudam o internauta a encontrá-lo.
Supondo que você tenha uma fábrica de sapatos chamada Honda.
Então é indicado que você registre o Honda.com e também
o sapatos.com, apontando para o honda.com. Isso garante que você tenha
um fluxo extra de visitantes. Isso é importante, pois a reserva de
domínio tem um custo muito baixo.
Revista W: Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre domínios?
Monteiro: A Verisign começou uma campanha no Brasil, educacional,
com a intenção de mostrar às pessoas a importância
de registrar um domínio .com. Uma campanha caríssima, com altos
investimentos em publicidade. Nossa empresa é a distribuidora local.
E como uma ação complementar à campanha, eu escrevi
o livro que ensina como escolher melhor seu domínio. Há diversas
pessoas que não sabem a diferença entre um registro .com e
um .com.br, ou se o domínio pode ou não ter cê-cedilha. O livro
foi escrito para ajudar a educar o mercado.
Revista W: Algumas ferramentas
da internet, como sites de busca e sites com o "pay per click", não diminuem um pouco a importância
de se ter um bom domínio?
Monteiro: Peguemos o exemplo do sistema "pay per click". Para levarem
um usuário ao seu site, custa US$ 0,20 por clique. Entretanto, se
você gastar 40 US$ por ano, não terá uma ferramenta de
marketing mais barata e perfeita do que um bom domínio, já que
o nome não se dissocia do site. Nessa lógica, se um domínio
auxiliar levar mais de 200 pessoas por ano para seus site, ele já teve
seu custo recompensado. Um ano é muito tempo para um domínio.
Se você tiver o site da Revista W em www.revistawww.com.br e ao mesmo
tempo tiver um www.revistadeinternet.com.br com certeza esta segunda URL
levará mais de 200 pessoas ao seu site em um ano.
Revista W: O que você está dizendo é que o mercado de
links patrocinados ajudou os revendedores de domínios?
Monteiro: Exatamente. Depois que ferramentas como "pay per click" surgiram,
o mercado de revenda de domínios explodiu. Isso porque o pessoal percebeu
que era bem mais barato e funcional ter uma URL chamativa do que anunciar
em um mercado tão concorrido quanto este, promovido por grandes sites
e ferramentas de busca.
Revista W: No livro, você faz uma distinção entre domínios
auxiliares e domínios genéricos auxiliares. Como isso funciona?
Monteiro: Há dois tipos de domínios auxiliares. O genérico é o
caso de você ter uma sapataria e reservar o sapataria.com. Há outro
auxiliar que funciona assim: supondo que sua sapataria seja Sergio.com, mas
seu internauta não se lembre se seu site é simplesmente sergio.com,
ou ainda sergiosapataria.com ou sergioonline.com. O que nós fortemente
indicamos no livro é que o responsável pelo site registre as
mais variadas opções de domínio possível. Ou
ainda, reservar extensões similares, o .com e o .com.br, por exemplo.
Você deve cercar seu domínio principal com vários auxiliares.
Revista W: Isso também ocorre em casos de similaridade homófona?
Monteiro: Sim, isso ocorre e é importantíssimo pensar nisso
ao escolher um domínio, ou vários. Supondo que você escreveu
casacor.com. Infelizmente haverá muita gente que não sabe que
casa se escreve com S. E por isso, pode digitar www.cazacor.com. Indicamos
que a pessoa registre nomes que também tenham este tipo de similaridade.
Se a pessoa cometer um erro ortográfico chegará ao seu site.
Revista W: Quantos domínios um site deve ter para que consiga atrair
o máximo de internautas possível?
Monteiro: Costumo dizer aos nossos clientes que eles devem reservar vários
domínios. A nossa empresa tem 80 domínios. Agora, um pequeno
empresário, por exemplo, pode ter cinco, seis registros em sua carteira,
estará razoavelmente coberto. Isso nos casos mais comuns. Se você estiver
falando de um grande projeto, vale a pena reservar todas as possibilidades,
letras duplicadas, invertidas, hífen.
Revista W: E se a pessoa resolver iniciar o projeto da vida dela com um
site, como deve proceder?
Monteiro: O primeiro passo é reservar um domínio que tenha
ligação direta com a sua marca. Vamos supor que você começou
algo agora, e esse negócio tem ligação com pequenos
gravadores. Então terá de criar sua marca. Hoje em dia, é muito
comum a pessoa, quando a cria a marca, antes de ir registrá-la no
INPI ou em qualquer lugar do tipo, confirmar se o endereço está vago
na internet, tanto na .com e na .com.br. Mesmo porque, com o tempo passando,
ter um domínio e ter uma marca está se fundindo na mesma coisa,
estão se confundindo. Acredito que em dez anos não se fale
mais tanto em marca, mas em domínios.
Revista W: Mesmo com essa
exclusão social que assola o país?
Monteiro: A penetração da internet está crescendo muito.
Hoje, no Brasil, ao que parece, há cerca de 20 milhões de internautas.
Imagina o que acontecerá quando esse número chegar a 60 milhões.
O conceito de domínio irá se mesclar com o conceito de marca.
Por isso, o primeiro passo é definir a marca e registrar o domínio
equivalente.
Revista W: Vale a pena mudar
a marca da empresa se o domínio escolhido
já estiver ocupado?
Monteiro: Se a pessoa estiver iniciando a marca, sim. Isso é recomendado.
Hoje, ter um domínio com sua marca, isso é muito importante.
Se você tiver um bom domínio, isso pode aumentar em ordens
de grandeza a visitação de seu site. Você deve lembrar
que as pessoas são
esquecidas. Supondo que haja a "Sapataria Ricardo", se eu não
sei exatamente qual seu site, eu vou simplesmente chutar, lá na barrinha
de endereços
do navegador: www.sapatariaricardo.com.br. Se você estiver começando
do zero, vale a pena mudar. Mas se você tem uma marca que já está estabelecida,
deve tentar comprar o domínio ou procurar nomes próximos.
Revista W: Quando negociar?
Monteiro: Se você tem uma marca própria, vale a pena tentar
negociar: a marca própria tem mais valor para quem é dono dela.
Este tipo de domínio vale muito. Os genéricos, nem tanto. No
caso da Sapataria Ricardo, há um valor pessoal, mas no caso de sapatos.com.br,
vale mais para se garantir.
Revista W: A importância da escolha de domínios não
diminui com o crescimento da dependência dos internautas às
ferramentas de busca?
Monteiro: Não, não cai. Depois que foram inventados o Google
e a barra de ferramentas do IE, as pessoas passaram a fazer consultas facilmente.
Entretanto, isso somente propiciou uma boa exposição para quem
tem domínios maiores. Com 60 milhões de domínio no mundo,
a maioria dos nomes curtos já está reservada. E com isso, as
pessoas estão sendo cada vez mais obrigadas a registrar nomes mais
extensos. Então, o instrumento de pesquisa permite que a pessoa seja
encontrada mesmo tendo um domínio mais extenso. Mas isso não
invalida quem tem um domínio curto. na verdade, essa questão
funciona como dois vetores. Um, encontrá-lo, e quanto melhor for seu
domínio, melhor você vai ser encontrado. E mais: o número
de pessoas que digita o endereço direto no navegador é muito
grande. Se você comparar o total de visitas que as ferramentas de busca
recebem com o total de volume de navegação na internet, onde
a pessoa digita diretamente o domínio, percebe-se que 60% dos internautas
vão direto ao endereço, sem passar por mecanismos de busca.
Revista W: Isso torna-se irrelevante
caso a pessoa já conheça
o site, pois há ferramentas do próprio navegador que permitem
levar o usuário a qualquer lugar que ele quiser, mesmo que a URL seja
a mais confusa do mundo.
Monteiro: Mas a tendência é que cada vez mais, pessoas digitem
diretamente a URL no navegador. Cada vez mais a pessoa arrisca direto. E é por
isso que o preço dos domínios genéricos tem aumentado
muito. O domínio commerce.com, por exemplo, acaba de ser vendido por
R$ 800 mil. Da mesma maneira que se tem conhecimento do Google, há mais
usuários navegando, e pessoas tentando digitar o domínio direto.
Isso é a cara da internet: algo completamente democrático e
sem ordem, tudo ao mesmo tempo.
Revista W: Fale um pouco sobre
a importância de nomes fáceis
e curtos em domínios. Como isso pode afetar, positiva ou negativamente,
um projeto eletrônico?
Monteiro: Se eu não me engano, todas as opções de domínios
com cinco letras, terminando em .com já foram registrados. Até os
mais estranhos. Existe, inclusive, um belga, conhecido no mercado, que é a
pessoa física que tem mais domínios em seu portfólio;
são 200 mil, a maioria genérico.
Revista W: É necessário se garantir com subdomínios,
como HPG, entre outros?
Monteiro: Não, não acho necessário. Subdomínios
não pertencem ao usuário, mas à empresa que presta este
serviço. Há gente que vende subdomínio, uma empresa
na Inglaterra registrou o br.com, mas ela revende. Não gostamos, achamos
que isso é o misliding do marketing. É recomendado ter o domínio
próprio.
Revista W: O registro .com é melhor
do que o .com.br?
Monteiro: No Brasil, há 800 mil domínios .com.br e .com somente
100 mil. A idéia da Verisign, e da minha empresa, é que aqui
no Brasil essa disparidade não seja tão grande. O que eu indico é que
o cliente reserve os dois.
Revista W: A Verisign e o
Registro.BR são
concorrentes?
Monteiro: Não, são serviços complementares.
Revista W: E qual é o tipo de domínio
mais indicado, o .com ou o .com.br?
Monteiro: Se a pessoa tiver CNPJ, .com.br; se não, .com. Mas como
eu disse, trata-se de serviços complementares.